A terra sem lei das internetz/Formas de derreter cérebros/Pseudo-antropologia

Stream of consciousness IV

Confesso que andei passando por uns momentos de pura falta de criatividade. Pra você ter uma idéia, o meu status mais curtido do Facebook esses dias foi um que eu copiei de outro cara.

Era interessante o Facebook no começo. Era um Orkut com menos erros de português. Ou seja, um Orkut de público mais selecionado, menos “diferenciado”, eu diria. Porque eu digo isso? Porque os chamados sem-noção não haviam chegado lá. Ainda. Pelo menos, nos tempos que eu estou lá, ninguém me pediu ainda pra “comentar na minha fotinha”, por exemplo. Ninguém hackeou o meu perfil ainda, por exemplo. Ninguém me mandou ainda uma imagem animada de um anjinho brilhante dizendo “bom dia”, por exemplo. Ninguém me mandou um link pra um site com rádio online automática, daquelas que te assustam e você nunca sabe em qual site que está aí você vai fechando todas as abas que você vê só pra parar com aquela porcaria. Porque ninguém pensa em tirar o fone de ouvido ou tirar o som do computador e procurar com calma onde é que está o filho do capeta? Se bem que já me pediram um monte de coisas de um joguinho lá que eu nem jogo.

Pra você ter uma idéia, o meu Twitter era estranho, porque eu não costumava seguir os meus amigos. E eles deixavam de me seguir por causa disso. Mas aí você me pergunta, “Ah, mas porque que você não seguia os seus amigos, egoísta?”. Tudo bem que eles são meus amigos, mas pra ficar poluindo a minha visão com mensagens tipo: “Estou com fome”, “Vou almoçar”, “Ah, eu amo a Cláudia Leite”, por favor, né?

Hoje em dia, eu abro o Facebook e tá lá, uma foto dum cachorro morto ensanguentado. Maravilha. Tudo o que eu queria pra alegrar o meu dia. As pessoas não entendem o significado real de existir o Facebook. As pessoas não entendem que as redes sociais servem pra você se manter em contato com os seus amigos, não com espíritos de animais de estimação falecidos.

Tudo isso são marcas do que chamamos de “males da inclusão digital”. Não que eu seja contra, muito pelo contrário. Aliás, eu fui, praticamente, nos idos tempos de 2008, um beneficiário deste programa. Acho legítimo o direito das pessoas terem acesso à internet tanto quanto elas têm acesso hoje ao sinal de rádio, TV, e etc. Só não acho que os idiotas mereçam.

aí ó

Outros idiotas, ou fingem que são idiotas, por que não é possível, são as chamadas celebridades. Primeiro, que celebridade, eu chamaria apenas os gênios naquilo que fazem. Como por exemplo, Tchaikovsky era na música, Nelson Mandela é no pacifismo, Oscar Niemeyer na longevidade, e Maluf na categoria “cara-de-pau”. Agora, o resto, não merece as linhas que eles têm na imprensa. Esses vermes que precisam sair de um carro sem calcinha para serem notados, precisam trocar de marido ou mulher para receber uma nota em alguma revista. Precisar de alguém mexendo na sua vida o tempo inteiro me dá nojo. E ainda tem aquelas pessoas que se irritam contra os paparazzi, agridem eles, e o que eles acabam conseguindo? Mais paparazzi. É ridículo. Pra que eu quero ver se fulano famoso foi fazer no restaurante, ou na academia?

A academia já é um lugar ridículo. Que lugar estranho. Cheio de pessoas suadas com roupas minúsculas, no único lugar onde quem soa mais é bem visto pelas outras pessoas. Isso sem falar nos aparelhos. Uma pessoa usa o aparelho, espalha o suor dela pelo aparelho inteiro, aí vem outra pessoa e usa depois, isso podia ser um caso de saúde pública!

A indústria da beleza me dá nojo. Pra quê as mulheres têm que ser aquelas magrelas ao extremo? Porque elas só servem pra exibir as roupas, coisa que um cabide faria muito bem. E um cabide é magro, certo? Isso dá a impressão que só mulheres magras podem usar roupas. E outra, o que eu posso falar de magreza? Se eu fosse mulher, eu seria uma ótima modelo (1hmmm, sei).

Eu sou muito tranquilo. Eu não ligo pra merda nenhuma. Uma coisa que eu sou bastante tranquilo é religião. Quando eu era criança, eu era muito preocupado com esse negócio, principalmente por causa da minha mãe, que era muito religiosa, e talvez, por causa disso, eu não tenha aproveitado a minha infância como deveria. Mas hoje, eu sou totalmente desencanado sobre esse assunto. Eu fico em cima do muro pra tudo.

Eu sou agnóstico. E, antes que você procure saber onde eu moro pra me linchar, acender uma vela pra mim, ou me mandar pra uma sessão do descarrego, agnóstico não é exatamente ateu. Pelo menos eu não sou. Deixa eu te explicar como é que é. Nós, agnósticos, acreditamos no que pode ser provado de forma irrefutável. Não existem provas irrefutáveis de que deus exista. Então, não temos certeza de que ele existe. E eu não acredito no que eu não tenho certeza. Mas o outro lado é que: ninguém tem provas irrefutáveis de que deus não exista. Então, não temos certeza de que ele não exista! Então, eu não posso dizer que ele não existe, por que eu não tenho certeza disso. Finalmente, esse é um jeito mais bonito de dizer que estamos em cima do muro, ou, nem aí pra nada. O problema é quando eu digo pras pessoas que eu sou agnóstico. Alguns reagem: “Ahhhh! Você não acredita em deus!”, eu tento explicar que não é bem assim, mas aí a pessoa já quer me converter. Outras se assustam. Eu não entendo.

Hoje em dia, se você fala pra alguém que é homossexual, as pessoas costumam entender. Se você fala que é pedófilo, por exemplo, as pessoas não entendem, mas acham que você é doente mental e precisa de tratamento. Se você fala que matou sua mulher a facadas, esquartejou-a e depois deu pro seu cachorro comer, as pessoas não entendem e se assustam, mas se depois você diz que já pagou a sua pena, elas entendem. Agora, se você fala que é ateu ou agnóstico, eles além de se assustarem, quase te levam imediatamente pra uma igreja, e se você não quiser ir, ou eles te levam à força ou te amarram num poste e colocam fogo em você. É uma baita hipocrisia. Logo eles que pregam tanto a paz… No fim, eu, que nem religioso eu sou, dificilmente entro numa briga… Até porque meu porte físico não ajudaria muito.

Imagem meramente ilustrativa. É disso aí pra pior.

Eu já disse pra vocês que eu sou tranquilo. Uma coisa que eu aprendi nessa vida é que ser fanático por qualquer coisa nunca é bom. Nunca é bom levar as coisas totalmente a sério. É tanto que uma vez me disseram que se eu fosse fanático por qualquer coisa eu poderia, literalmente, sair matando todo mundo. Sério. Se fosse uma pessoa comum, eu não daria muita importância. Só que o problema é que foi um psicólogo formado que me disse isso. É sério mesmo. Sorte minha, e da humanidade que eu sou tranqüilo. Eu não ligo pra merda nenhuma.

Eu lembro de uma vez, que eu ia numa van pra escola, e as menininhas ficavam disputando pra quem ia ficar no banco da frente. A que chegava primeiro sentava, e a que chegava depois ficava emburradinha. Eu não entendia por que tamanha disputa. Eu ficava tranqüilo, pra mim, eu podia viajar até em cima da van, desde que eu descesse na minha casa, ótimo. E outra, se a perua bater, a que sentar na frente vai com certeza se ferrar bem mais do que a gente que sentava no fundo.

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