Esses dias eu estava conversando com umas amigas (olha aí, amigas!) sobre como às vezes o entretenimento adulto pode ser estranho. Pode ser um tema um pouco indigesto pra alguns (na verdade: “algumas”), mas eu normalmente costumo criticar coisas por aqui, e pornô será uma delas. Na verdade, ainda existe um tabu sobre isso, as pessoas não gostam de falar, ler ou admitir que conhece pelo menos um pouquinho do mundo da pornoputaria.
E, antes que você, homem, vire para o seu cônjuge e diga que nunca viu essas coisas, em verdade, em verdade lhe digo que é provado cientificamente que, se você é do sexo masculino, e tem acesso regular à rede mundial de computadores, sim, com certeza, você já consumiu material pornográfico, pelo menos uma vez na vida.
Agora que eu já destruí o seu relacionamento, seguem as razões pelas quais pornô não faz sentido nenhum.
Uma vez eu vi no Just Wrapped que pornô é igual álcool, sabe? Quando você é novo, ele te ajuda a lidar com algumas frustrações, liberta um pouco a sua mente, e tal, mas quando ele começa a te atrapalhar na sua vida profissional ou na pessoal, aí é hora de largar.
E, não contrariando a notícia lá de cima, eu admito sem grandes problemas que eu consumi esse tipo de material uma vez ou outra. Eu lembro de ter pago por isso uma vez só, quando estava na 6ª série e paguei uns cinco reais (o que na época era um baita dinheiro pra mim) na revista de um amigo meu.
Era uma revista velha, provavelmente dos anos 90, mas estava em ótimo estado (e quando eu digo “ótimo estado” eu quero dizer “ótimo estado mesmo, sem páginas coladas, nem nada”). Era bem amadora, daquelas que tem só o primeiro nome das modelos, do tipo, “Juliana Indiazinha”, ou “Márcia Loira”, e por aí vai. Você pode estar virando a cara nesse momento, mas digo: tempos depois, eu acho ela melhor do que pagar mais de R$10 numa Playboy, mesmo com as reportagens e tudo.
Aliás eu nem sei quanto custa essas revistas, nunca comprei. Você pode duvidar do que estou dizendo, mas daqui a pouco eu explico o porquê.
Eu larguei aquela revista numa mochila antiga que ficava num quarto inutilizado da minha casa. Anos depois, meus pais foram limpar o quarto e acharam a revista. Sabendo que aquela bolsa era da época da minha primeira escola, eles disseram que “algum coleguinha colocou ela ali de zueira”. Concordei com a hipótese de primeira, afinal, eu nem tinha que ter bolado uma desculpa dessa vez!
Fora isso, ninguém mais pegou esse tipo de material na minha casa, e eu resolvi parar com isso antes que alguém pegasse. Além daquela, como eu disse antes, nunca comprei nenhuma revista, afinal, eu moro numa casa relativamente pequena onde moram três pessoas, ou seja, a gente tem controle de absolutamente tudo que existe aqui dentro. Trazer uma revista de fotos sensuais, por mais sutil que ela fosse, seria suicídio, principalmente pelo fato da minha mãe ser uma fervorosa religiosa.
Depois, eu tomei contato com uma Playboy, ou uma Sexy, não me lembro agora, de um cara que eu conhecia. Quando eu fui ler, achei meio besta. Sério. Era de uma ex-BBB qualquer, nem me lembro direito quem era. Era como se eu visse foto por foto e dissesse: “caramba, é isso que a minha mãe não quer que eu veja?”.
As fotos, pelo que eu via, eram muito insossas, pareciam inocentes demais perto da revista do meu amigo, que eram totalmente hardcore perto daquelas fotos babaquinhas onde a moça parece que deita na grama dizendo “oh deus, como essa grama é macia e eu gosto de rolar nela!”.
Sério, eu não acho isso tão bonito assim.
Daí veio a internet, o que, pros amantes da sacanagem é um paraíso. Terabytes e terabytes de pura pornoputaria totalmente de graça e de todos os jeitos possíveis!
E quando eu digo de todos os jeitos possíveis são realmente todos os jeitos possíveis! Um exemplo disso é o Google Imagens. Pra fazer os posts deste blog, eu procuro todo tipo de coisa no Google Imagens. E quase qualquer coisa que você pesquise no Google Imagens, mesmo que o SafeSearch (que é um filtro que o Google coloca nas suas pesquisas pra evitar esse tipo de coisa apareça) esteja no nível “na frente da vó”, acham alguma imagem de sacanagem!
Sério, você coloca lá “ralador”, aparece alguém molestando um ralador. Depois, você pesquisa “coelhinho de pelúcia”, daí tem um coelhinho de pelúcia violando alguma coisa. Eu não tenho a mínima coragem de pesquisar meu nome num negócio desse.
Eu lembro de uma vez que o meu pai pediu pra eu procurar uma imagem de um tipo de carne, ou algo assim pra ele, daí, do nada, tinha uma imagem de um casal copulando. Minha cara, você já deve pensar como deve ter ficado.
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Mais estranho que tudo isso, são os filmes. Os filmes pornográficos dividem-se, caso você não saiba, em dois tipos: aqueles que tem historinhas e os que não tem. Os que tem, são aqueles mais bem produzidos, com um orçamento maior, aqueles que você achava naqueles espaços fechados das antigas locadoras.
Os sem historinhas são aqueles do seu site preferido de vídeos depois do YouTube, mas esses não são interessantes pra esse post, por que os que eu acho realmente excepcionais são os com história.
Qual é o objetivo de alguém a por uma história num filme cujo objetivo principal é mostrar apenas cenas de cópula desenfreada sem sentido? O fato é que, todo filme pornô com história, apesar de não ser, acaba sendo um filme de comédia, comédia involuntária, na verdade, por que primeiramente, nenhum ator pornô sabe representar.
Quando você coloca um ator pornô pra fazer uma fala comum, não é a mesma coisa que colocar um ator ruim pra fazer uma fala comum. É um ator ruim, só que a gente (e os atores também) sabe que vai sair alguma safadeza de lá, o que torna a interpretação duplamente ruim.
E as cenas são tão improváveis, que parece mais um esquete de comédia do que vai sair alguma coisa dali.

Em condições normais, clientes nunca dão pra esse cara.
Imagine você, mulher (se bem que eu acho que não há mulheres lendo essa altura do post), dando de cara com esse maluco aí, e tendo o segundo diálogo com ele:
-Senhorita Saint?
-Sim?
-Sua pizza.
-Ah, ótimo!
-São US$9,95.
-Veio do sabor que eu pedi? Aqui está.
-Sim… Hãn… Calabresa?
-Isso… Fale de novo…
-…Ca… Calabresa…?
-CalabreeeeeEeeEEEEeesa…
-Ok, senhorita, eu vou embora agora… *assustado*
-Não! Fique!…
E daí termina nessa cena aqui, ó:
Eu fico imaginando como é a vida de um ator desses, sabe? Imagina você acordar umas 10h da manhã (porra, o cara é um ator, ele deve ter alguma flexibilidade de horário!), toma seu café-da-manhã, dá um beijo na mulher, nos dois filhos, dá uns tapinhas no cachorro e parte pro estúdio de gravação.
Até aí tudo normal, quando ele se depara com um cavalo, uma garrafa de vodka e uma anã. “É… O dia vai ser longo”, ele pensa.
Pra toda profissão, digamos incomum, eu tomo o ponto de vista do filho do cara. O ponto de vista do filho do cara é um negócio que eu fazia com o meu pai. Ele trabalhava numa transportadora numa empresa de remédios, e ele ficava tanto tempo fora de casa, que era legal perguntar, quando ele voltava, o que ele tinha feito.
Daí eu imagino um ator normal, voltando pra casa, e o filho dele perguntando:
-Papai, papai, o que você fez hoje?
-Hoje, o seu pai foi o Romeu na história de Romeu e Julieta.
-Que legal, pai! Como é a história?
-Ah, eu gosto muito duma menininha, sabe? Daí acontecem umas coisas estranhas, e no fim nós dois acabamos mortos.
-Aaaahhh…
Daí eu imagino um ator de novela na mesma situação:
-Papai, papai, o que você fez hoje?
-Hoje, Eu… Eu… *falando baixinho* eu fiz um viadinho na novela, filho.
-Credo, pai! Sério.
-*chorando e soluçando* Sim, filho… Eu… Eu só queria… Eu só queria dar um sustento pra vocês, sabe?
-Tudo bem, eu vou brincar lá–
-Vá! Pode ir! Afaste-se dessa vergonha que é o seu pai! *deita e chora em posição fetal*
Daí eu imagino um ator pornô.
-Papai, papai, o que você fez hoje?
-Hãn… Só… Só coisas de ator, filho. Como anda a escola, hein?


(se bem que eu acho que não há mulheres lendo essa altura do post)
eu li tudo AUSHAUSHAUSHUAHSUASHUASHUAHSUASHUASHUASHUAHS <3
Meu deus, mulheres leram o post. As consequências são irreversíveis.